Durante muitas décadas, após a Revolução Industrial, a inovação de produtos era simplesmente colocar no mercado alguma pequena ou grande “sacada”, e a demanda era imensa. Empresas fizeram dinheiro durante décadas simplesmente embalando em caixinhas os cereais que eram oferecidos a granel, manufaturando produtos que antes eram feitos em casa, entre outras coisas.

À medida que a tecnologia avançou, os centros urbanos cresceram e a demanda e o acesso aos produtos aumentaram, as inovações foram se tornando mais complexas.

Falar em inovação de produtos, hoje em dia, não é simples assim.

Digamos que na década de 1980, a Natura era reconhecida com uma das marcas mais inovadoras do país, que trazia para seus consumidores, produtos feitos com ativos da natureza, da flora brasileira, trouxe o desenvolvimento econômico de comunidades remotas da Amazônia e falava-se em sustentabilidade.

Anos depois, quantas e tantas empresas não usam ativos da natureza e não falam em sustentabilidade? Quase todas as empresas têm ações sociais para ajudar as comunidades onde atuam e têm um discurso todo embasado em sustentabilidade e futuro.

Inovar não é mais tão fácil. Vem o primeiro com uma idéia inovadora, outros vêm atrás e roubam a fatia do lucro e do mercado – inclusive melhorando o que o que o outro inovou.

Enquanto o mundo anda cada vez mais acelerado, e o consumidor exige maior velocidade na inovação de produtos, as empresas travam brigas internas e externas para buscar seu lugar ao sol da inovação.

A inovação exige planejamento e uma estratégia clara de como sobreviver no meio do mundo das cópias. O primeiro iPhone surgiu como uma grande inovação. Logo vieram suas cópias. Mas a Apple tem um plano de alimentar continuamente o mercado com inovação e, de tempos em tempos, surge um novo iPhone, igual mas diferente do primeiro, com mais funcionalidades e facilidades, e cativa continuamente o público. Quase sempre, aliar um bom design a um pacote de bom conteúdo tecnológico é uma receita de sucesso.

Outras empresas, como a 3M, têm entre suas estratégias de inovar continuamente, adquirir outras empresas ou estender suas linhas de produtos de forma a atingir públicos maiores ou de forma mais completa. Por exemplo: os blocos de anotações Post-It nunca mudaram essencialmente o seu conceito de produto (pequenos blocos de papéis com adesivo reposicionável), mas sua linha se estendeu, até surgirem as canetas Post-It, que têm no corpo do produto, um pequeno bloco de marcador de página Post-It Tape Flag, ajudando o consumidor a anotar e marcar páginas de seu livro preferido ou do seu trabalho da escola.

Um dos maiores desafios para a inovação hoje está em entender exatamente onde está a demanda do mercado, e apontar os investimentos e esforços para aquela direção.

Inovar custa investimento, tempo e pessoas. E quando apontamos tudo isso para o alvo errado, o fracasso se traduz num prejuízo maior do que o próprio investimento: o prejuízo da confiança pela marca.

Manami Kawaguchi

Manami Kawaguchi Torres, formada em Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP – SP), com MBA em Gestão de Marcas (ITAE/Faculdades Rio Branco – SP), trabalhou em studios de Design Gráfico em SP e é designer há 14 anos na 3M do Brasil, Divisão Automotiva.